SOMOS MISSIONARIOS DO EVANGELHO DA PAZ

SOMOS MISSIONÁRIOS DO EVANGELHO DA PAZ

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Todos os anos, em outubro, nos preocupamos muito com o tema da Igreja que versa sobre o mês missionário. A Igreja sempre contou com muitos missionários, homens e mulheres, consagrados a Deus, que deixavam suas terras e suas famílias e partiam em missão para os lugares mais distantes do planeta.

A realidade mudou muito nas últimas décadas. As famílias foram diminuindo de tamanho, começando a ficar raro no mundo a família com mais de três filhos. Ainda nos países mais pobres acontece de ter família grande, mas nos países ricos, o índice é de menos de dois por casal. Houve casos, como na China que as famílias não podiam ter mais do que um filho. No entanto, assustadoramente, a tendência é o aumento de pessoas idosas e o mínimo de nascimentos para o futuro. Como as vocações missionárias brotam entre os jovens e entre famílias mais numerosas, não encontramos mais tantas vocações missionárias.

Com isso, famílias que possuíam vários filhos e filhas e que alguns iam para o caminho da evangelização, tornando-se padres, freiras, religiosos em geral, a diminuição foi ainda maior, pois a família quer ver a continuidade deles e fica mais raro a vocação para terem filhos dedicados ao Senhor. O apelo vocacional continua e mais ainda as necessidades de evangelizadores.

O fato é que diminuindo as vocações, temos falta de sacerdotes e religiosas no mundo. Por isso, é sempre pedido neste mês, que as vocações tragam mais luz através de jovens que descubram sua vocação para o sacerdócio para atender os pobres, os necessitados e orientá-los na vida. Somos convidados a ser missionários e especialmente a juventude é a esperança do futuro, mas precisamos lembrar que Jesus disse: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

 

MISSIONÁRIOS DE JESUS NO MUNDO

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Jesus Cristo deixou, portanto, uma missão para todos, devemos sair e pregar o evangelho. Podemos entender que todos os cristãos são convidados a acolher este chamado, independente de onde estiver, seja nas escolas, no trabalho, na família, numa roda de amigos. Todos os cristãos são missionários e precisam levar àqueles que desconhecem Jesus Cristo, seu Evangelho de Paz. A vocação sacerdotal permite que os escolhidos por Deus possam levar as Palavras do Evangelho a todos os povos. Escolher Jesus Cristo para representá-los na sociedade, junto às crianças, jovens e idosos é a vocação que permite ao jovem crescer e ampliar seus estudos para conduzir as celebrações, os sacramentos, as confissões e as imensas comunidades que Deus espalhou por toda a terra. Portanto, o principal propósito neste mês é rezar para que as vocações aumentem e que tenhamos um número maior de sacerdotes, religiosos e leigos dedicados à evangelização missionária. Todos cristãos são convidados para cumprir a missão deixada por Cristo para todos os homens de boa vontade.

Neste mês missionário de outubro, a Igreja escolheu o tema “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. Eis o relato do Papa Francisco aos participantes na Assembleia das Pontifícias Obras Missionárias (01/junho/2018): ”Este tema sublinha que o envio para a missão é uma chamada ínsita no Batismo e está presente em todos os batizados. Assim a missão é envio para a salvação que atua a conversão do enviado e do destinatário: a nossa vida é, em Cristo, uma missão! Nós mesmos somos missão porque somos amor de Deus comunicado, somos santidade de Deus criada à sua imagem. A missão é, portanto, santificação nossa e do mundo inteiro, desde a criação (cf. Ef 1, 3-6). A dimensão missionária do nosso Batismo traduz-se assim num testemunho de santidade que doa vida e beleza ao mundo. 

Os missionários são vocacionados por Deus, com um chamado muito especial, sair de sua comodidade, distanciar-se de suas famílias e lançar-se no desconhecido, para levar a Palavra de Deus a tantas pessoas que não conhecem o nome de Jesus e sua mensagem. O missionário precisa acreditar nos povos, para onde vai evangelizar. Precisa acreditar nos próprios valores e compreender que estes valores podem melhorar o estilo de vida dos povos visitados.

Renovar as Pontifícias Obras Missionárias significa, por conseguinte, ter um empenho sério e corajoso, a santidade de cada um e da Igreja como família e comunidade.

Peço-vos que renoveis com criatividade a natureza e a ação das Pontifícias Obras Missionárias, pondo-as ao serviço da missão, a fim de que no cerne das nossas preocupações haja a santidade da vida dos discípulos missionários.”

 

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RENOVAR O ESPÍRITO MISSIONÁRIO

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O Papa compreende que as propostas missionárias precisam ser renovadas e atualizadas, pois os povos estão mais desenvolvidos e tocados pela globalização. Além disso, é preciso respeitar os valores e a cultura dos povos que acolhem os missionários. Além disso, é preciso reconhecer as necessidades sociais, políticas e econômicas dos povos empobrecidos, para transformar suas vidas.

Com efeito, para poder colaborar na salvação do mundo, é necessário amá-lo (cf. Jo 3, 16) e estar dispostos a dar a vida servindo Cristo, único Salvador do mundo. Nós não temos um produto para vender — não se trata de proselitismo, não temos um produto à venda — mas uma vida para comunicar: Deus, a sua vida divina, o seu amor misericordioso, a sua santidade!

A preocupação do Papa é evitar o proselitismo, que quer dizer a prática de acusar as religiões dos outros povos. Cada comunidade humana tem sua religiosidade e suas tradições e não podemos acusar estes povos de “pagãos” ou “ímpios”. Estas práticas são decadentes e representam o pior sentimento de comunidades cristãs modernas.

Somos enviados pela voz divina. Somos vocacionados por Deus, pois é ele quem envia e nos acompanha na caminhada. O Papa insiste que “ é o Espírito Santo que nos envia, acompanha, inspira: é Ele o autor da missão.

É Ele quem leva em frente a Igreja, não nós. Será que deixo que Ele seja — podemos questionar-nos — o protagonista?” Não somos protagonistas, somos servidores, consagrados à missão. Jesus Cristo é o senhor das missões e o Espírito Santo é a força de nossa missão. 

Muitas vezes, queremos domesticar e enjaular o Espírito de Deus em numerosas estruturas mundanas. Não podemos conceber as Pontifícias Obras Missionárias como uma firma, uma empresa ou uma simples instituição. As Obras Missionárias são uma benção de Deus para a Igreja. Acreditamos que “Ele, o Espírito Santo, faz tudo; nós somos apenas seus servos”.

 

PREPARAR-SE PARA A MISSÃO

Somente a força e a luz do Espírito Santo são capazes de preparar o missionário, para ser um fiel servidor do Reino de Deus. Assim, a visão missionária da Igreja deve corresponder Àquele que foi crucificado, morreu na cruz e ressuscitou. Somos missionários de um Deus que viveu, morreu e ressurgiu por todos nós. Este é o anúncio fundamental da nossa atividade missionária.

Encontramos o envio missionário de Jesus nas suas pregações (Mt 28,18-20) e na ação dos missionários é mostrada a amplitude da visão de Jesus para com sua Igreja. (At 1, 8). O direcionamento é chegar a todos os lugares e levar aos povos a Boa-Nova. A missão é fazer discípulos. Paulo ensina que “Ele morreu por todos” (2Cor 5, 15).

Se Cristo morreu por todos, significa que morreu por todos os habitantes do mundo. Todos, então devem ser visitados para saber que Cristo morreu por ele, não importa o lugar. Importa chegar e como faziam os apóstolos contar o Evangelho da Paz. Se antigamente usavam cavalos, camelos ou barcos, hoje um avião em poucas horas atravessa um continente.

Temos que ir evangelizar como exige o próprio Senhor. De verdade, os tempos mudaram e ainda encontramos lugares neste mundo que nunca ouviram falar de Jesus. Somos convidados a participar; ou enviando missionários ou auxiliando financeiramente.

 

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PAULO, MODELO DOS MISSIONÁRIOS

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A Igreja de Jesus Cristo foi edificada para que os missionários saíssem e dessem frutos. Como uma árvore somente dará frutos se cuidarem dela. Lembrando São Paulo, o evangelista escolhido por Cristo, fez diversas viagens e visitou inúmeros lugares para levar a Palavra de Deus. Enfrentou inúmeros desafios, inclusive um naufrágio. Sua preocupação era levar a expansão do Reino de Deus para todas as pessoas no mundo inteiro. Em cada lugar que passava criava uma comunidade e quando podia retornava para aquele local, quando não, enviava cartas com suas recomendações em nome de Jesus Cristo. Lendo essas missivas de Paulo, vemos que seu trabalho ainda é a de um professor ensinando que não se pode falhar numa missão e que todos os desafios devem ser feitos para levar Cristo de geração a geração até chegar à última das gerações, quando o mundo falar somente a linguagem de Jesus Cristo.

Por isso, não podemos perder nenhuma geração, pois este vácuo pode ser preenchido por uma religião que não conheça Cristo e em seu lugar apareça uma religião pagã que pode proliferar. Pior ainda, se o vácuo da evangelização for preenchido por líderes cristãos sem escrúpulos.

Este princípio significa que devemos sempre manter uma geração com a Luz de Cristo o tempo todo e não deixá-la apagar nunca, temos que ter sempre a chama acesa, vislumbrando Jesus no meio dela e que de modo algum a chama apague e as trevas apareçam. A chama missionária deve estar sempre acesa para que de todos os lugares possamos ver Jesus Cristo, Senhor Nosso. No texto do Papa Francisco, vemos ainda que nosso pastor e líder neste santo pontificado, quer acesa a chama missionária da nossa espiritualidade. O que começou em Jerusalém, espalhou para os povos da região, chegou até Roma, o centro do mundo do Império Romano, apenas alguns anos depois de Cristo ter ressuscitado e voltado para a Casa do Pai.

Na Igreja Primitiva, homens e mulheres pregavam o evangelho, todos queriam testemunhar, Deus Espírito Santo que com Deus Pai e Deus Filho, formando a Trindade de nossa fé, cobriram a superfície de todos os lugares do mundo naquela época. Deus manda seus evangelizadores começar a catequizar os nativos. Surge um mundo novo precisando de fé, precisando de amor, precisando de Jesus.

O Concílio Vaticano II, em Lumen Gentium abre uma frente de trabalho evangelizadora para os leigos. Todos os católicos precisam solicitar a Deus o dom da sabedoria. Desta forma também estarão aptos a evangelizar seu próximo. O Papa Paulo VI, em Evangelii Nuntiandi, afirmava: Nunca haverá evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados (nº 32). É necessário compreender a base da visão missionária, pois através da Bíblia criamos uma consciência missionária. A grande mensagem dos missionários verdadeiros é simples: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8)


 

 


Prof. João H. Hansen – Pe. Antônio S. Bogaz
Autores de: A praça da Dádiva. La fonte. 2017
PBJH