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MARIA, SEMPRE MARIA

MEMÓRIA DE MARIA EM PENTECOSTES

 

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Maria está presente em todos os momentos da vida de seu Filho. Convidada, sempre acolheu o convite. Sim, esta é a essência de todos os convites divinos. Deus chama carinhosamente e todos somos convidados a responder livremente.

Nestes dias, Papa Francisco, promulgou mais uma festa litúrgica mariana. Foi uma ação de um pontífice que ouve o clamor do povo e, com delicadeza e humildade, sente a devoção aos santos e a Maria.

Trata-se de uma festa, na qual, nos aponta para a presença de Maria no cenáculo, quando o Espírito Santo veio luminoso sobre a “comunidade do Nazareno”, fortalecendo e encorajando os seus primeiros seguidores e colocarem o pé na estrada e saírem pelo mundo a evangelizar.

Foi um breve decreto, publicado no dia 03 de março, pela Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, no qual nosso Papa Francisco determinou que se inscrevesse a Memória da “Bem-aventurada Virgem, Mãe da Igreja” no Calendário Romano Geral. Com este decreto, esta memória não é apenas celebrada em algumas igrejas particulares, mas nas igrejas cristãs católicas do mundo inteiro. A data escolhida, por ser uma festa emanada do Mistério de Pentecostes, será sempre a segunda feira, depois da mesma solenidade.

 

VOCAÇÃO DE TODA IGREJA

Maria é aclamada como Mãe da Igreja. Assim, o Decreto “Ecclesia Mater” coloca a Mãe de Jesus como mãe de todos os fiéis. Primeira discípula, todos somos convidados a seu seguimento.

Um convite espiritual e evangelizador; portanto missionário.

O objetivo desta festa-memória é promover o crescimento e a fecundidade da maternidade de Maria, numa Igreja onde todos nos consideramos seus filhos queridos. Este é um facho de luz gracioso da piedade mariana: maternidade eclesial da Mãe de Jesus.


O Cardeal Robert Sarah que assinou o documento explica que “esta celebração ajudará a lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”.

Trata-se de um presente singelo do Papa para todos os fiéis, que são enamorados de Maria e a sentem como força da comunidade e um convite para evangelizar.

Um convite para despertar nas comunidades vocações sacerdotais e religiosos e vocações familiares, para fermentar a família humana, tão dispersa em seus valores.

A espiritualidade deste mistério considera que a maternidade de Maria, revelada pelo Espírito em Pentecostes (At 1, 14) nunca mais deixou de cuidar maternalmente da Igreja, peregrina e missionária na história do povo de Deus.

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Maria nos convida para viver o mistério de Cristo e apresenta-lo ao mundo. Assim, os discípulos de Cristo, quer dizer, todos os fiéis cristãos, vivem a mesma graça, de modo que o “ desejo do Papa é que esta celebração, agora para toda a Igreja, recorde a todos os discípulos de Cristo que, se queremos crescer e enchermo-nos do amor de Deus, é preciso enraizar a nossa vida sobre três realidades: na Cruz, na Hóstia e na Virgem – Crux, Hostia et Virgo. São três mistério maravilhosos que se unem no mesmo projeto divino e nos envia a evangelizar. É, mais uma vez, um convite vocacional. Não há verdadeiro cristão que não se alimente espiritualmente da cruz, da eucaristia e da devoção mariana. São todos os caminhos para o encontro com Deus em Jesus Cristo, sob a luz admirável do Espírito Santo. Este tripé do mistério de nossa fé deve fundar nosso coração, santificar nossa vida interior e nos enviar em missão, para servir.

 

CONVITE PARA A MANJEDOURA

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São muitos os lugares de Maria na história de Jesus. Com certeza, ela estava presente no coração de Deus, que a prepara para partilhar o destino de seu Filho. Ela o faz corajosamente. Muito delicadamente, sempre em silêncio e com gestos práticos, sem exaltação.

Sua presença, com José, escolhido por Deus, na manjedoura é a figura da proteção que protege o protetor; quer dizer, ela vigila o autor da vida frágil, que veio ao mundo para proteger a humanidade do mal.

Amorosamente, Maria segue a voz do Espírito Santo, que a ilumina para discernir a sua vocação: maternidade divina. Segue seus caminhos com Jesus no ventre e nunca tem medo, pois sente-se protegida.

Sua figura é gentil e forte, ao mesmo tempo. Não teme enfrentar a sociedade preconceituosa contra as mulheres e nem tem medo de enfrentar os perigos de uma gravidez silenciosa.

Destemida, segue as estradas da Galileia indo ao encontro da Izabel. Seu desejo é transladar Jesus em todos os cantos onde seus pés puderem levar. Podemos imaginar sua aflição, como é a aflição de tantas mães para gerar seus filhos na dignidade.

E contou com o apoio de José, que não se furtou aos seus deveres de bom esposo e bom pai, segundo os desígnios do céu. Mesmo os animais acolheram o convite e foram servir de companhia para o Menino. Maria, sempre Maria, presente noite e dia na história de Jesus.

Assim ensina Francisco: “Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. Por isso, Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do seu corpo místico, isto é, da Igreja.

Estas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da cruz”. Então, contemplamos Maria aos pés da cruz.

 

CONVITE PARA O CALVÁRIO

Maria certamente participou da vida do Filho nos momentos alegres, nos momentos de festa e de fraternidade familiar. Muito mais, esteve presente nos aflitivos momentos do Calvário e da Cruz. O que significa acertar este convite? Todos os cristãos devem estar ao lado dos irmãos que carregam suas cruzes, difíceis de suportar, abandonados e humilhados. O Papa nos ensina novamente que “a Mãe, que estava junto à cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito”. Estar aos pés da cruz significa verdadeiramente estar ao lado dos que sofrem, ser parceria nas derrotas para partilhar as alegrias grandes. A Igreja é convidada a partilhar o destino dos pobres e suas desventuras. Igualmente é convidada a revestir-se de coragem para o martírio, que ocorre não apenas no sangue derramado, mas nas calúnias, no despreza e nos preconceitos. Aprendemos com Maria que o caminho da ressurreição e da Ascensão é o Calvário. Foi este o itinerário de Jesus, seu Filho, e igualmente seu itinerário como sua discípula. Seguimos com Jesus, servindo seu Reino, que se engrandece na feliz manhã de Pentecostes.

 

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CONVITE PARA EVANGELIZAR O MUNDO

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Impressionante que com a recepção do Espírito Santo, Maria e os discípulos são “desenfreados”. Ninguém mais os segurou. Nem o medo, nem os perigos e nem mesmo as controvérsias. Pessoas simples e humildes, tornaram-se grandiosas e iluminadas pela força do Espírito Santo. 

O cenário e o evento da descida do Espírito divino configura a família de Jesus Cristo, que se fortalece nos laços de fraternidade e saem pelo mundo afora.

Não devem ficar encerrados em paredes e nem em suas fainas diárias. Antes, são convidados a deixar tudo e seguir adiante.

Fisicamente distantes, estão unidos pela voz do Mestre e pela luz do Espírito.Serão para sempre uma família e voltarão sempre a se encontrar, na oração e na ceia eucarística. Viverão para sempre unidos no mesmo amor. Por este amor viverão e darão suas vidas.

Esta família tem uma Mãe bendita, sempre proclamada pela Igreja, desde os primeiros dias. Se Leão XIII decretou sua maternidade eclesial, com este título “Mater Ecclesia”, Paulo VI, em 1964 declara esta Mãe maravilhosa como “Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima” e estabeleceu que “com este título suavíssimo seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão”. Mara é a mãe de todo povo cristão e nós a sentimos como protetora e guia de nossas vidas.

 

EM TEMPOS DE PERTURBAÇÕES

Mais tarde, nas visões apocalípticas de João, o discípulo amado, Maria é presença junto à multidão dos marcados com o sangue do cordeiro. Eram tempos de perseguição e fúria contra os cristãos. Bastava anunciar o nome de Jesus e tornava-se criminoso de “lesa majestade”. O imperador, desde o Imperador Augusto, no primeiro século, decretava perseguição aos que pregassem o nome de Jesus. Maria é a presença real e, depois, espiritual para que ninguém se sinta órfão e abandonado.

Em nossos tempos, quando ser cristão de verdade pode ser perigoso, muitas vezes nos muros da própria comunidade, o nome de Maria é uma força simbólica que nos faz sentir a presença de Deus. Somos ainda hoje convidados a falar de Deus. Precisamos de sacerdotes para a missão, para cuidar dos fiéis nas comunidades; precisamos de religiosos para servir o povo de Deus, na simplicidade e na pobreza e, sobretudo precisamos de cristãos batizados no nome de Jesus, para defender a verdade e a justiça num universo social onde imperam a corrupção, a exploração e o interesse dos dominadores. Pentecostes é uma festa, onde Maria é a mãe preferida. Somos seus filhos e todos somos convidados para esta festa. Celebremos a memória de Maria, que se ilumina do Espírito Santo, para louvar a Deus e converter os corações.

 

 

 

 

Pe. Antônio Sagrado Bogaz – Prof. João Henrique Hansen
Autores de Novos tempos da liturgia cristã. Paulus:2016
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