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MEU BOM JOSE,

PAI E ESPOSO TRABALHADOR

Uma canção bonita, popular e muito conhecida inicia com uma indagação: “como é que foi, meu bom José, se apaixonar por Maria”.

A tradição nos faz recordar este esposo bom, chamado na Bíblia de “homem justo”, que assumiu a responsabilidade de cuidar do menino Jesus. A canção continua, como uma licença poética: “casar com Débora ou com Sara, meu bom José, você podia, mas nada disso acontecia e você foi amar Maria”.

Estes versos que remontam a tradição popular mostram a opção de José, que renunciou tantas possibilidades de formar uma família, seguindo o modelo tradicional de seu povo, para se dedicar a uma causa: servir o plano de Deus, apoiando o “sim de Maria”.

 

SANTOS E SERVOS DE DEUS

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A solenidade dos santos caracteriza um culto especial, dada a importância de sua mensagem para a vida da igreja.

Estas solenidades destacam a importância destas celebrações e estes nomes estão inseridos na compreensão do mistério cristão.

Descreveremos a mensagem bíblica e o conteúdo teológico destas solenidades, que devem contribuir para a compreensão, vivência e celebração do mistério de Cristo.

Estes santos viveram em suas vidas o projeto de Deus e são contados entre os seus preferidos, que merecem a homenagem da igreja.

A vida dos santos são testemunhos para todos os peregrinos, que buscam praticar em suas vidas a santidade de Cristo.

 

 JOSÉ, PROTETOR DE UMA MULHER EM PERIGO

Segundo as leis romanas daquele tempo, uma mulher que fosse pega em adultério ou que engravidasse sem o devido matrimônio, deveria ser punida severamente, com o apedrejamento e a excomunhão pública da vida social e religiosa. Maria se encontra subitamente nesta condição e vê sua vida em perigo. O apedrejamento da mulher adúltera representa um grande perigo para esta menina pura e santa de Nazaré.

Vejamos a crueldade da lei, particularmente para a mulher: “Nos termos da lei, o marido poderia matar o amante da esposa caso o surpreendesse em “flagrante delito” e se este fosse membro dos estratos considerados pouco dignos, como escravo, gladiador ou ator. O marido poderia ainda prendê-lo durante vinte horas, com o objetivo de poder chamar testemunhas. O pai da adúltera poderia matar a filha e o amante caso os apanhasse em sua casa”.

Os pais e o marido, segundo a tradição, deveriam denunciá-la, dentro de três meses, para lavar a própria honra. Os pais deveriam expulsá-la de casa e o noivo ou marido traído para não ser desonrado, deveriam entregá-la às autoridades que puniam com afastamento social, prostíbulo ou apedrejamento. José vem ao encontro de Maria, com toda generosidade e grandeza de alma. Ouviu o clamor de Deus, numa visão angelical e acolheu Maria, como sua esposa. Bom esposo, companheiro protetor e provedor da família.

 

JOSÉ, O ESCOLHIDO ENTRE TANTOS JOVENS

Na narrativa do texto piedoso e apócrifo, Maria foi apresentada pelos sacerdotes que a formaram no templo desde os três anos de idade, para ser consagrada a Deus.

Os sacerdotes acolheram vários jovens que eram pretendentes de Maria, que deveria ser tomada por esposa. De fato, os sacerdotes assumiram a guarda de Maria, pois seus pais reconheceram que ela tinha uma missão especial diante de Deus.

Apresentaram-se vários pastores, os quais trouxeram seus dotes e relatavam suas virtudes. Quando estavam todos a postos, com seus bastões, o bastão de um “pretendente mais ancião” floresceu um lírio na sua extremidade. Os sacerdotes reconheceram que aquele homem, José o carpinteiro, era o escolhido de Deus para esta missão. “E Maria foi prometida a um homem de Nazaré, chamado José.”

Eis o Evangelho apócrifo, que serve à piedade popular:

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“Jesus contou aos discípulos: –  Disseram os sacerdotes a minha mãe, a Virgem: –  Vai com José e permanece submissa a ele, até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio.
José levou Maria, minha mãe, para sua casa. Ela encontrou o pequeno Tiago na triste condição de órfão e o cobriu de carinhos e cuidados. Esta foi a razão pela qual a chamaram Maria, a mãe de Tiago. Depois de tê-la acomodado em sua casa, José partiu para o local onde exercia o ofício de carpinteiro.”
 

Esta é a história de José, que acolheu Maria, como noiva, e serviu com ela o plano de salvação de Deus.

 

SÃO JOSÉ, DUAS FESTAS LITÚRGICAS

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A festa solene de São José é celebrada no dia 19 de março.  A  solenidade de São José sublinha devoção ao pai de Jesus,  esposo de Maria.

Esta festa litúrgica marca a grandeza de José, que assume como esposo uma jovem consagrada a Deus e a protege em todas as adversidades. Acolhe Maria, que estava em perigo de difamação, bem como sustenta o lar. Tem a coragem de acompanha-la ao templo e foge para o Egito, para escapar da voracidade de Herodes, o rei invejoso. Esta celebração destaca a virtude do bom pai e do esposo companheiro e gentil.

Existe também uma celebração no dia 1o de maio, que une sua figura de  trabalhador (Mt 13,55), a todos os trabalhadores, especialmente os operários, que pela dignidade do trabalho prolongam a obra da criação. José foi um operário em Nazaré. Esta celebração coincide com a festa civil e universal dos trabalhadores e tem grande significado social e político. Ela quer resgatar a dignidade e os direitos de todos os trabalhadores, que são explorados em sua força de trabalho.

 


LINHAGEM MESSIÂNICA

 

A fundamentação da festa é bíblica, pois as Escrituras descrevem José como homem bom e justo (Mt 1,19), que Deus escolhe para participar e colaborar no mistério da salvação. Além de sua participação no projeto de Deus para enviar seu Filho ao mundo, José pertence à linhagem messiânica, anunciada no Antigo Testamento. Os textos do Novo Testamento descrevem José como descendente da família de Davi (Mt 1,1-16; Lc 3,23-38). Ele está presente na fuga para o Egito, para livrar Jesus das ciladas de Herodes (Mt 2,13-21), relembrando o caminho do povo bíblico no Êxodo (Gn 37; 50, 22-26).

 A figura de José tem sido muito valorizada, como pai e protetor do povo de Deus, a ponto de ser declarado patrono de toda a igreja.

 A celebração destaca sua presença junto a Maria para participar do plano de Deus na encarnação de Jesus Cristo.  Sempre é citado como o “homem justo”. É o “servo bom e fiel” que oferece sua vida em favor do plano histórico da salvação.

 O evangelho (Mt 1,16.18-21.24a) descreve o seu “sim”, no momento em que é convocado a participar do mistério da maternidade divina de Maria. Sua participação no mistério é preanunciada na promessa messiânica feita a Davi (2Sam 7,4-5a.12-14a.16). José é inserido no projeto das ações salvíficas de Deus na história. Esta sua inserção no projeto de salvação é mostrada pelo paralelo feito entre José e Abraão (Rom 4,13.16-18.22), pois ambos acreditam na palavra e na promessa de Deus, que aos olhos humanos parecem irrealizáveis. Ambos acreditam e participam do projeto de Deus em favor da libertação do povo e são elevados por Deus.

 A presença de José na religiosidade popular e na celebração da liturgia, embora muito menos significativa que a de Maria, tem sido enaltecida e cada vez tem aumentado sua veneração entre os fiéis.

 

 

Prof. João H. Hansen – Pe. Rodinei Thomazella – Pe. Antônio S. Bogaz
autores de Nos Passos de Maria. Paulus:2015
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