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IMPORTÂNCIA DA PALAVRA DE DEUS NA VIDA DOS FIÉIS E NA LITURGIA

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Devido às controvérsias bem conhecidas historicamente, entre os reformadores a Igreja católica, a Palavra de Deus ficou muito distante dos fiéis durante o período tridentino. Por estes motivos, hoje bastante superados, Igreja Católica teve o confronto dos reformadores em questões essenciais, gerando a separação dos reformadores, inclusive envolvendo questões políticas e de poder. No catolicismo, após o importante Concílio de Trento, que durou dezoito anos, trouxe uma nova perspectiva para os fiéis. Foram fortalecidas as devoções e os valores basilares do catolicismo, como as devoções eucarísticas, marianas e santorais, que tornaram-se bens preciosos da religiosidade popular de nossos povos.

Este período durou aproximadamente quatro séculos, até que o Concílio Vaticano II (1962-1965) despertou para os fiéis, a presença maior do Espírito Santo e também a presença inabalável da Bíblia, uma fonte de luz e um conforto espiritual para a fé do Povo de Deus.

Podemos observar que com este revival da Palavra de Deus na sua missão evangélica, originou-se uma nova pedagogia na Igreja, utilizando a comunicação dos novos tempos, abrangendo a cultura e seus instrumentos mediáticos.

Com este movimento bíblico, que fora um dos movimentos provocadores do Concílio Vaticano II, ficou mais fácil entender a Palavra de Deus e reconhecer Jesus Cristo que, através da Bíblia, lida e explicada aos fiéis à luz do seu mistério, principalmente nas celebrações litúrgicas, traz a tradição viva do anúncio da verdade e da caridade.

As leituras da Bíblia dirigidas para as comunidades em atitude de comunhão, leva à compreensão a Palavra de Deus. Tem-se a certeza que o grande desejo dos fiéis é a revelação da Palavra de Deus, embora com algumas dificuldades encontradas em muitos textos que precisam ser compreendidos em seu contexto e em sua linguagem. A ignorância do contexto e das formas linguísticas provocam fanatismo e obsessões no seguimento da mensagem bíblica. Provoca sobretudo manipulação dos textos e uso para interesses alheios à formação da verdadeira comunidade.

Assim a Palavra de Deus, através das iniciativas pastorais, que colocam suas percepções e questionamentos, através da necessidade de superar a ignorância e certa confusão sobre as verdades da fé. Apesar os limites na preparação de subsídios bíblicos, as pastorais aprendem e transportam, como no caso da Liturgia, a animação bíblica para a evangelização. Isto deve sempre incluir, naturalmente, todas as verdades da fé.

A Palavra de Deus é inspiração para toda ação litúrgica. O Vaticano II insiste que nenhum ritual se realize sem a proclamação de um texto bíblico que lhe dá maior sentido. Assim, origina-se uma movimentação muito grande dentro do Ritual da Eucaristia, originada pela Palavra de Deus, que se faz presente na celebração, onde cada Igreja possa assumir a sua responsabilidade no contexto particular.

 

PALAVRA DE DEUS E UNIDADE DOS CRISTÃOS

A fonte de unidade dos cristãos é a Bíblia. Talvez por isso, considerada a sua importância, que os grupos se servem da mesma Bíblia, para provocar separações, sempre se justificando num texto escolhido do livro sagrado. Consideramos que há uma diferente maneira de introduzir a Bíblia na Tradição latina e na Tradição oriental, direcionando-a para que os fieis, em geral, compreendam e reconheçam a sua enorme riqueza. Está distinção não deve ser motivação para divisão, antes a manifestação da riqueza e a pluralidade do cristianismo. Bem diferente é o uso da Palavra, com abuso dos textos para promover divisões e gerar riquezas, como acontece em certos movimentos cristãos modernos.

Mas, há uma necessidade também de que os sacerdotes e ministros da Palavra tenham a competência e o conhecimento para atualizar as leitura, seja como uma hermenêutica durante a celebração. Para isso, é preciso mais que repetir frases e chavões dos textos; é preciso conhecimento de filologia, de culturas, de história e antropologia dos povos bíblicos. Tal empreendimento exige de cada pastor uma atualização mais completa de sua formação filosófica, teológica e religiosa.

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Cumpre, também, neste momento de aprendizado que o laicado não seja passivo diante da magnitude da Bíblia, mas que ao ser ouvinte da Palavra de Deus, possa ser também seu anunciador devidamente apoiado pela comunidade.

Para que a Palavra seja fonte de unidade, entendemos que Deus dirige sua Palavra de Salvação a todos os povos, principalmente aos mais pobres e os mais distantes. É este o objetivo de sua missão, ser a Boa Nova da libertação, da consolação e da salvação.

Há necessidade de que em todas as religiões haja um diálogo, promovendo sempre o intercâmbio dentro das Igrejas e das comunidades cristãs, abrangendo mesmo outras religiões e culturas, não esquecendo que Deus colocou suas sementes, a sua palavra para todos os povos entenderem a verdade.

 

OS MESES TEMÁTICOS E O MÊS DA BÍBLIA

A Igreja no Brasil foi promovendo, de acordo com as necessidades de evangelização e catequese, meses temáticos durante o ano litúrgico, especialmente durante o Tempo Comum. São os meses dedicados a temas próprias da evangelização, como Maria, vocações, missões, entre outros. Por assim dizer, os meses temáticos têm sido muito bem preparados, de modo que são bem visíveis no desenvolvimento da vida litúrgica de nossas comunidades. Pode-se ver, claramente, que estão presentes nas celebrações eucarísticas, utilizando símbolos, cantos, leituras e outros. Podem também ser direcionados para os grupos de reflexão, catequese, grupo dos jovens e em todas as pastorais. Mesmo correndo o risco de perder o alinhamento do Ano Litúrgico, o que deve ser cuidadosamente respeitado, os meses temáticos têm animado e fortalecido o compromisso com a evangelização de todos os fiéis.

 

UM MÊS PARA RESGATAR A PALAVRA

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O Concílio Vaticano II trouxe muitas inovações, entre elas, que a igreja no Brasil começasse um trabalho de divulgação da Palavra de Deus nas comunidades cristãs.

Os católicos, infelizmente, ao longo dos últimos séculos, não foram motivados à leitura pessoal dos textos bíblicos, delegando essa incumbência aos seus ministros. Por inspiração do Concílio Vaticano II, que manifesta a importância da Palavra de Deus, como semente da evangelização, nestas últimas décadas, as comunidades cristãs passaram a valorizar cada vez mais a Bíblia e dedicar-se em campanhas para sua propagação e leitura.

O mês de setembro ficou conhecido como o mês da Bíblia, dando a oportunidade de se dedicar durante o período a uma divulgação maior da Palavra de Deus. É comum na maioria das igrejas durante este período, levar a Bíblia para o altar com música, danças, com fiéis carregando com respeito e entregá-la ao sacerdote, que a levanta e todos aplaudem a Palavra de Deus. Uma forma simples, mas bastante simbólica de fazer com que os fiéis entendam a importância da Palavra de Deus. São motivações para recuperar o lugar da Bíblia na vida dos cristãos.

Esta campanha foi incentivada pelas próprias editoras que organizaram campanhas, com diminuição dos preços e diversificação das edições. De fato, a quantidade de círculos bíblicos, alguns que hoje estão ativos a mais de 40 anos, mostram que este movimento não foi inútil, mas produziu bons frutos.

De fato, as atividades são bem grandes para a divulgação da Bíblia, inclusive algumas paróquias sorteiam mensalmente entre os dizimistas, uma Bíblia, para aumentar o interesse de lê-la. Estas campanhas se realizam por meio de cartazes, cantos, dinâmicas e outras atividades.

A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) vem, há muitos anos, trazendo um programa de estudo e meditação da Bíblia. Mostram a sua importância não apenas como livro com conteúdo moral e cultural, mas principalmente um livro para se rezar e celebrar. Inclusive, foi iniciada uma aproximação maior dos fiéis através da “leitura orante da Bíblia”. Ficou conhecido com o título: “Tua palavra é vida”.

A Bíblia tornou-se com o tempo uma leitura mais agradável para os fieis que a tomaram em suas mãos nas celebrações, encontros, vias-sacras, novenas, ofício divino e inclusive nas suas próprias casas.

 

ELENCO DAS LEITURAS DA MISSA

Quando vamos para as celebrações diárias ou dominicais, ficamos pensando como foram inseridas nas celebrações e temos vontade de saber o motivo destas escolhas. A seleção das leituras, que são chamadas de perícopes, foi feita em consideração à

sucessão litúrgicas e também hermenêuticas que os estudos exegéticos de nosso tempo permitiram descobrir e ordenar com muita precisão. Os celebrantes não podem simplesmente escolher leituras que lhes apreciam ou para legitimar seus pensamentos; antes devem acompanhar o projeto universal do Ano Litúrgico. Vejamos os princípios elaborados do Elenco das Leituras da Missa.

Primeiro lugar: seleção de textos: A sequência das leituras do “próprio tempo” foi colocada da seguinte forma:

Nos domingos e festas são colocados os textos mais importantes, de modo que num espaço de tempo praticamente reduzido, a assembleia possa ouvir as partes mais relevantes da Palavra de Deus. Levando em consideração que durante a semana, nas celebrações, temos já uma parte destas leituras. 

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Nos dias de semana, temos apenas duas leituras, mas nos domingos e dias de festas temos três textos, o que permite uma maior compreensão para aqueles que não participaram durante a semana. Mesmo assim sabemos que estas leituras são totalmente independentes das celebrações dominicais.

É importante também notar que o elenco das leituras das celebrações eucarísticas (celebrações dos santos, rituais diferenciados, votivas, missas de falecidos) são regidas por normas próprias e, portanto, fora do sentido hermenêutico que entrelaça as leituras nas celebrações.

Distribuição das leituras: Todas as celebrações dominicais e solenidades têm três leituras: a primeira é do Antigo Testamento; a segunda, do Apóstolo (isto é, das Epístolas dos Apóstolos ou do Apocalipse, conforme os tempos do ano); a terceira, do Evangelho. Esta seleção mostra claramente a unidade do Antigo e do Novo Testamento, integrando a História da salvação, centralizada em Cristo e seu mistério pascal que celebramos nas missas.

Ciclo trienal: Os domingos e dias de festas tem um ciclo de três anos para uma leitura mais heterogênea e completa da Sagrada Escritura, uma vez que os textos retornam somente depois de três anos. Os fundamentos que estabelecem a norma das leituras dos domingos e festas são denominados de “composição harmônica” ou de “leitura semicontínua”.

Relação entre os Testamentos: A “composição harmônica” pode ser interpretada como a leitura do Antigo e do Novo Testamento, que mostram uma visão dos fatos inseridos no Novo Testamento, que tem uma relação com os textos do Antigo Testamento. Portanto, fica claro, que o Elenco das Leituras da Missa aos domingos e dias de festa, os textos do Antigo Testamento foram escolhidos principalmente por sua lógica com os textos do Novo Testamento.

Tempos fortes: No tempo do Advento, Quaresma e Páscoa, o texto das leituras de cada celebração fundamenta-se em princípios especiais. Estas leituras projetam os domingos de forma crescente em vistas do mistério celebrado no ápice daquele período.

O autêntico conceito da ação litúrgica é sempre a celebração do mistério de Cristo, fazendo com que a tradição use a Palavra de Deus, sempre com a preocupação de anunciar o Evangelho e levar à assembleia a verdade plena.

  

LEITURAS FERIAIS

As leituras para os dias de semana foram idealizadas da seguinte maneira:

Princípio geral: As missas de segunda a sexta-feira, inclusive aos sábados de manhã, apresentam duas leituras, sendo a primeira do Antigo Testamento ou dos Apóstolos (isto é, das Epístolas dos Apóstolos ou do Apocalipse), e no Tempo Pascal dos Atos dos Apóstolos; a segunda, sempre, do Evangelho.

Mensagem global dos tempos litúrgicos: No período do Tempo da Quaresma devido seus princípios exclusivos, é necessário levar em consideração as características batismal e penitencial. Assim também, nos dias de semana do Advento e dos tempos do Natal e da Páscoa. Mesmo sendo um ciclo anual, as leituras não variam.

Leituras comuns feriais: Em todos os dias da semana, nas trinta e quatro semanas do Tempo Comum, as leituras do evangelho se repartem num único ciclo que se repete a cada ano. Entendemos que a primeira leitura, ao contrário, se reparte em duplo ciclo que se lê em anos alternados. Sendo, então, o ano primeiro utiliza-se nos anos ímpares, no segundo, nos anos pares, quer dizer, nos anos ímpares o Antigo Testamento e nos anos pares são escolhidos textos das Epístolas.

Em conclusão, afirmamos que exatamente deste modo, o elenco das leituras da missa para os dias de semana, é trabalhado com os princípios da composição harmônica e da leitura semicontínua, igualmente como são mostradas nas formas peculiares ou no Tempo Comum.

 

BÍBLIAS ABERTAS, MENSAGEM NO CORAÇÃO

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A redescoberta da Palavra de Deus na vida pessoal dos fieis e nas celebrações litúrgicas é um tesouro precioso.

Nunca devemos ter medo dos textos bíblicos; devemos sim tremer diante de grupos ou pessoas mal intencionadas que se servem dos ensinamentos bíblicos para legitimar suas ideologias e seus projetos lucrativos. Isso nada tem a ver com a Bíblia, mas seu uso indecente e imoral.

É como se alguém tomasse limões num limoeiro e, ao invés de fazer bons sucos, os espremesse e cegasse os irmãos. A culpa não é do limão e do limoeiro, mas do seu algoz.

Quanto mais o povo conhecer a palavra de Deus, quando mais os pastores do povo conhecerem a essência da Palavra, mais e mais descobrirão a grandeza deste presente divino, que é sua alma revelada em parábolas, ensinamentos e histórias maravilhosas.




Pe. Antônio S. Bogaz – Prof. João Henrique Hansen
Autores de A PRAÇA DA DÁVIDA. Lafonte: 2017
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PARA EMOCIONAR: UM CONTO BÍBLICO

Certa vez, um pai de família, Eli, soube que tinha que fazer uma grande viagem. Ficou muito triste, pois teria que deixar sua esposa, que tanto amava, e seus filhos ainda pequeninos, que precisavam de sua presença e de sua atenção. Ficou triste, mas teve que partiu. Despediu-se, sofrendo muito, e viajou para outros países. Na distância, para matar a saudade e manifestar seu amor, escreveu cartas, muitas cartas. Nas cartas, exortava sobre a educação dos filhos, contava suas histórias, recordava os tempos vividos juntos, fazia orações e, mais que tudo, falava de seu grande amor pela esposa e pelos filhos. Depois de muito tempo, voltou para casa e a alegria do encontro foi enorme. Todos se abraçaram e a vida retornou ao normal. Dias depois, mexendo nas gavetas, encontrou suas cartas. Com grande decepção, descobriu que estavam ainda todas fechadas, amarradas com laços e envelopadas numa bolsa com zíper de luxo.

– Meu amor, minhas cartas.. você nunca as abriu?

– Me perdoa, meu bem. Tantas coisas para fazer, cuidar dos filhos, arrumar a casa, compras e…. O marido nem esperou sua explicação… eram todas boas, mas esfarrapadas.

– Como anda sua Bíblia? Muita poeira? Rs

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VATICANO II E A PALAVRA DIVINA

Os padres conciliares, no Vaticano II, imbuídos de sabedoria, destacaram a riqueza e atribuíram a importância da Sagrada Escritura, não apenas como o núcleo da história da salvação, mas como reprodução simbólica da presença de Deus na história do povo da Aliança. Os padres conciliares têm consciência do paulatino afastamento dos fiéis das Sagradas Escrituras, como reação apologética posterior ao Concílio de Trento. Considera-se fundamental a recuperação do uso da Escritura nas celebrações, que deverão iluminar e fecundar todas as celebrações, como vemos: “é enorme a importância da Sagrada Escritura na celebração da Liturgia. Porque é a ela que se vão buscar as leituras que se explicam na homilia e os salmos para cantar; com o seu espírito e da sua inspiração nasceram as preces, as orações e os hinos litúrgicos; dela tiram a sua capacidade de significação as ações e os sinais.(SC 24) os rituais nas celebrações eucarísticas, precisam valorizar a união do povo com Deus. Propiciar um diálogo de amor, no qual o louvor, o perdão, a intercessão, a comunhão e a consagração seja um laço de vida plena. E que seja criado através deste alicerce, todos os valores para o Reino de Deus na história humana.

(do livro: A.S. Bogaz – J. H. Hansen: Novos tempos da celebração cristã: Paulinas. 2016

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