memorias de Cristo

MEMÓRIA DE CRISTO, PRESENÇA DO ESPÍRITO


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Os discípulos de Cristo tiveram o grande privilégio de conviver com Ele e experimentar sua misericórdia e sua graça quando caminhava entre os campos, convivia nos lares, pregava nas praças e, com grande intimidade, ensinava seus oráculos. Tornaram-se herdeiros de sua sabedoria e, movidos pela coragem e pela fé, propagaram este tesouro até os confins do mundo. As comunidades primitivas partilharam dos testemunhos dos primeiros seguidores do Senhor ressuscitado. Contavam em primeira pessoa o que tinham partilhado e, nos acontecimentos concretos aprenderam sem intermediários.  Com grande fidelidade e espontaneidade, os neófitos, como nós em nossas assembleias, se reuniam para escutar a Palavra e fazer a experiência viva do Senhor vivo e glorioso. A graça do Espírito lhes concedia os dons da humildade e da esperança para abrirem seus corações e sentirem o toque do amor divino pela humanidade.  Desabrocha, assim, silenciosamente, o grande milagre da revelação divina, fecundada nos evangelhos e nos demais livros bíblicos.

A plenitude das Escrituras, proclamada na celebração litúrgica, é a memória de Cristo, cuja Palavra é o sinal do amor, pelo qual Deus intervém e age para ensinar, proteger e salvar seu povo. Sua presença é operante em nossa história. A Liturgia da Palavra, como anúncio e prece da mensagem divina se realiza na Igreja. De fato, “quando proclamamos a soberania do Senhor, Ele se faz presente” (Hb 13, 7). Desde os primórdios, vivemos estes ensinamentos,quando as primeiras comunidades se reuniam, movidas pela convicção que a leitura orante da Palavra concretizava a memória de Cristo, na presença luminosa de seu Espírito. 

O Lecionário da Missa (n.4) recorda aos fiéis que quando celebramos o mistério da salvação, somos santificados, pela graça que o amor de Deus realiza em nossas vidas e, na mesma dimensão, prestamos culto verdadeiro a Deus Pai. 

Toda liturgia celebra a memória de Cristo, concretizando o projeto de Deus Pai. Em consequência, a Liturgia da Palavra é memória viva do mistério pascal do Senhor, ao mesmo tempo em que nos converte e inaugura uma nova vida no Espírito.

 



Fonte: O DOMINGO – Semanário Litúrgico-Catequético – 24/04/2016

Pe. Antônio S. Bogaz – Prof. João H. Hansen 

PBJH