CRISTAOS CATOLICOS NA VIDA POLITICA

CRISTÃOS CATÓLICOS NA VIDA POLÍTICA

A inspiração do Papa Francisco

 

Comemoramos o terceiro ano do papado de Francisco, o primeiro papa latino-americano a ocupar o trono que foi um dia do Apóstolo Pedro.

Dois mil séculos tem a Igreja católica e para muitos cristãos parece que ela renasceu há apenas três anos quando Jorge Mario Bergoglio foi conduzido pelo Espírito Santo, através dos cardeais, a colocá-lo na frente de nossa Igreja. A Igreja tem uma história maravilhosa e se tornou mais luminosa em tempos de Francisco.

Perguntam os jornalistas: Por que se tornou um papa diferente de todos os que um dia ocuparam a cátedra de Pedro? Talvez, seja porque seu espírito é jovial, não condiz com a sua idade.

É um homem de idade, mas com a cabeça de um jovem, inteligente e com um senso de humor poucas vezes visto em pontífices de outros tempos. Sem dúvida é um dos mais carismáticos papas que a Igreja Católica Romana já teve. Em apenas três anos, mostrou para que veio. É um sacerdote de origem pastoral e trouxe em sua bagagem a espontaneidade e a experiência. Seu dom de ser simples, o faz  andar no meio do povo, de metrô, de ouvir confissões.

Ele é capaz de falar com as pessoas na rua, sentir diante de si a visão da pobreza, das necessidades dos menos favorecidos socialmente, bem como os dramas das famílias. Isso já o faz único e é desta incrível vivência que saiu de Buenos Aires para Roma e de Roma para o mundo inteiro e não apenas o mundo católico.

 

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PREOCUPAÇÃO DE FRANCISCO, O PAPA

Entre tantos assuntos abordados, como a ecologia, a misericórdia, recentemente falou também da política e como devemos nos comportar diante deste mundo atual, em que a mesma se encontra no nível mais deplorável da história. Política e políticos quase se identifica com  sujeira,  roubo,  propina e  ladroagem. É mesmo a desonra humana. Mas não deve ser assim.

Eis então que o Papa Francisco vem e nos mostra como proceder neste caminho e o que fazer para sairmos deste lamaçal que parece não ter fim.

No seu depoimento feito pela televisão do Vaticano, quando ele recebeu jovens de todo o mundo, Francisco  disse que mandaria para todos os católicos as cinco páginas sobre o assunto.

Vamos conhecer suas proposições.  Afirma ele que: envolver-se na política é uma obrigação para um cristão e nós cristãos não podemos fazer como Pilatos que lavou as mãos. Com este início podemos entender que não podemos ficar inertes diante do que está acontecendo politicamente em nosso país e em todo mundo. Agora vem as eleições e como nos comportarmos diante dos candidatos?  A Igreja tenta nos iluminar.

Devemos entrar no universo político e exigir os direitos que temos, junto aos candidatos e que sejam candidatos realmente direcionados para ajudar os pobres. De fato, o Papa ensina que não é possível que o mundo tenha tanta coisa para alimentar os pobres e muitos estão morrendo de  fome. Num mundo que tem tanta riqueza e tantos recursos para dar de comer a todos, não se pode compreender como há tantas crianças esfomeadas, tantas crianças sem educação, tantos pobres. A pobreza, hoje, é um grito. Todos nós devemos pensar se nos podemos tornar um pouco mais pobres.

É a política que está errada, são os políticos que não se direcionam junto aos necessitados. É o egoísmo humano governando o mundo. Basta lembrar o que escreveu sobre a misericórdia: Redescubramos as obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos doentes, visitar os presos, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos. (Bula Misericordiae Vultus, n.15 ). 

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Imagens do filme “Pão Divino, a vida de São Tarcísio” 
 
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Imagens do filme “Coração Imaculado, a vida e a obra de Bárbara Maix”
 
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Imagens do filme “Frei Galvão, o Bandeirante de Cristo” 

 

 

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Imagens do filme “Memórias do Coração, Vida e obra de Santo Eugênio de Mazenod” 

PREOCUPAÇÃO COM O BEM COMUM

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Imagens do filme “Frei Galvão, o Bandeirante de Cristo” 

Em seguida nos diz que devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum. 

Ensina-nos que a política tem o objetivo de elevar a caridade, ela é feita para a igualdade, a fraternidade, a liberdade do homem, visto que ela procura o bem comum da humanidade, o bem comum de cada um de nós. As leis, o trabalho, a família tem que ser prioridade neste mundo.

Quando diz:  Os leigos cristãos devem trabalhar na política, está sendo extremamente claro, os leigos cristãos devem participar como candidato, ou votar em candidatos que tenham a plataforma real e não virtual de ajudar os pobres. 

Há uma necessidade de líderes e estes somente existem se votarmos em homens de bem e que tenham um direcionamento claro e preciso das necessidades de cada um, ou melhor, ainda, de cada região, de cada país.

Não podemos votar por modismos, por protestos, por famosos. Depois teremos resultados e consequências previsíveis. 

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Imagens do filme “Memórias do Coração, Vida e obra de Santo Eugênio de Mazenod” 

Ser político é uma necessidade, desde que seja direcionado para o bem e não para as famosas propinas, que deixam os cristãos cada vez mais empobrecidos e continuam sem saúde, educação, segurança e trabalho. Parece até que o Papa Francisco direciona ao Brasil esta mensagem. No entanto temos países que vivem os mesmos problemas, ainda mais que o Santo Padre viveu tudo isso numa Argentina, que como o Brasil, teve e tem problemas políticos e sociais imensos. Sem esquecer que também viveu períodos terríveis de ditadura e uma guerra com a Inglaterra, “fabricada” pelos políticos e militares de plantão.

  

O CRISTÃO E O UNIVERSO POLÍTICO

Ele em seguida nos faz pensar o quanto deixamos passar nossa vida sem lutar na política quando diz:  

A política é demasiado suja, mas eu pergunto, está suja por quê? Porque os cristãos não se meteram nela com o espírito evangélico.

Mais uma vez,  a Igreja  nos permite refletir sobre este sentido do espírito evangélico. Nossa missão é a evangelização cristã, termos o espírito evangélico significa lutar contra todos os demônios que existem espalhados pela sociedade. Entendemos que o demônio é o mal, portanto temos que lutar contra a corrupção e os usurpadores de bens socais que espoliam o povo, principalmente os pobres que não tem como se defender. Este é o caminho com o qual o Papa Francisco nos brinda. É profético e evangélico. Se tivesse entrado cristãos verdadeiros ou se votássemos em quem pensa na necessidade social como elemento da vida, então a política não estaria tão mal vista. Cumpre a nós nos redimirmos de nossos erros e tentar limpar este lamaçal dos quadros políticos.

Somos questionados diante de nossas posturas diante da realidade política:

É fácil eu dizer que a culpa é dos outros. E a pergunta que eu faço é: Mas eu, que faço? Isto é um dever.

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Imagens do filme “Frei Galvão, o Bandeirante de Cristo” 

Reforça nossa fraqueza diante da política, pois nos colocamos sempre querendo dizer que a culpa não foi nossa, foi do outro que votou ou do outro que se candidatou em nosso lugar. Mas em seguida, como sempre, nos coloca frente ao problema, dizendo o que deve ser feito agora. Simplesmente devemos cumprir nosso dever, que é participar da política e exigir nossos direitos como cidadãos. Se tivéssemos feito antes, tudo poderia estar um pouco diferente.  Como cidadão, ele sempre frisa isso, temos que exigir do governo o que é nosso de direito e não nos acostumarmos com esta situação que nos foi impingida.  Mas é sempre tempo, pensando nas futuras gerações, nos nossos filhos.

 

A VIRTUDE DO SER POLÍTICO

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Movimento Pró-Hospital – Inauguração do Monumento Pró-Hospital – Matriz São João Batista – Rio Claro  

 

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Ao finalizar seu depoimento, que na realidade é uma aula de direitos do cidadão, ele diz claramente: Trabalhar para o bem comum é um dever cristão.

O que significa este sentido para o Papa Francisco? Simplesmente, nos faz entender que o cristão não pode permanecer longe da esfera política; ele precisa estar presente para reivindicar seus direitos, para que a vida de todos os filhos de Deus seja melhor. O papa mais do que ninguém sempre ensina sobre a família (basta recordar a Encíclica Amoris Laetitia). Ensina, portanto, que o bem comum da família é na realidade o bem comum dos cristãos, pois somos uma só família.

Em palavras singelas, entendemos o pensamento do Papa Francisco como um convite a participar da política, da vida social, do bem comum, dos direitos e deveres dos cidadãos e dos povos. Reparemos que o Vaticano é também um país e o Pontífice é o seu soberano. Ele nos dá a chave da porta para abrirmos e acharmos os  valores que as comunidades católicas possuem de servir o irmão através da política.

Desde que ele entrou no Vaticano tem assumido também o papel na sociedade mundial de político, recebendo presidentes de países em conflito para tentar a paz e outros problemas que ele continua resolvendo. Sempre buscando a justiça mundial e a solidariedade entre os povos.

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Movimento Pró-Hospital – I Fórum da Saúde “Saúde como está e como queremos” 

 

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Movimento Pró-Hospital – Assinatura da “Carta Compromisso”  –  candidatos à eleições municipais

Cabe a nós entendermos sua visão clara que nos diz para participar politicamente da vida da nossa sociedade. Somente trilhando este caminho é possível mudarmos o rumo desta nefasta sociedade de roubos, ladrões e miséria.  E multiplicar seu lado luminoso: a caridade, a misericórdia e a justiça de tantos verdadeiros cristãos.

O cristão participando da política está criando para seus irmãos um caminho mais suave para atravessar os problemas e os conflitos. Sem a integração na vida política, não existe caminho possível e nem solução mágica. Não é possível ser cristão ausentando-se da história de vida dos irmãos e de suas necessidades fundamentais. 

 

 
 

 

Pe. Antônio S. Bogaz – Prof. João H. Hansen

autores de Misericórdia, o outro nome da Igreja, in Uma Igreja de Portas Abertas, Paulinas. 2016

PBJH